quinta-feira, 22 de junho de 2017

Secretaria do Ambiente lança projeto contra desmatamento ilegal da Mata Atlântica







Programa envolve monitoramento de uma área de sete mil quilômetros quadrados no estado

RIO — A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) lançam nesta sexta-feira, no Rio, o projeto Olho no Verde, que concentra ações para ampliar a proteção da Mata Atlântica e busca zerar o desmatamento ilegal da região até 2018.

O projeto envolve o monitoramento de uma área de sete mil quilômetros quadrados, onde se localizam os principais remanescentes florestais do estado. Para isso, são utilizadas imagens de satélite de alta resolução, que permitem identificar, com precisão, o corte de uma única árvore.

No lançamento, que acontece durante o III Encontro de Secretários de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atlântica, na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a secretaria vai divulgar a relação dos municípios com maior número de ocorrências de desmatamento no ano passado.

Em Paraty, por exemplo, equipes conseguiram flagrar um grupo em plena atividade de desmatamento. No local, foi possível identificar perda de cobertura florestal de uma área de seis mil metros quadrados. A fiscalização constatou que as árvores derrubadas seriam vendidas ilegalmente. Os responsáveis foram presos em flagrante.

Em 2016, foram selecionados 326 alertas (imagens) para vistoria, dos quais 196 casos indicaram supressão de vegetação e/ou alguma intervenção irregular local, em área equivalente a 71 hectares. O trabalho permitiu direcionar, de forma mais ágil e precisa, as fiscalizações com o objetivo de reprimir o desmatamento ilegal. A ideia é expandir a campanha para outros municípios do estado, onde o número de alertas foi maior.

Fonte: O Globo







Série histórica revela que número de tempestades permanece quase o mesmo de 160 atrás no Rio




Avenida Borges de Medeiros permanecia alagada 24 horas após forte chuva que atingiu a região - Fábio Rossi / Agência O Globo


Dados são coletados desde 1850, a partir de um decreto de Dom Pedro II

por Luisa Valle / Marlen Couto
22/06/2017 16:20 / Atualizado 22/06/2017 17:12



RIO - O prefeito Marcelo Crivella considerou a forte chuva que parou parte da cidade na noite da terça-feira um fenômeno atípico, mas a série histórica de tempestades no Rio - a mais antiga do país - mostra que na verdade pouco mudou desde 1850, quando o registro teve início. o número de ocorrências de tempestades na cidade é quase o mesmo que há 160 anos atrás.

- Diferentemente de outras cidades como São Paulo ou Campinas, que a medida que foram crescendo o número de tempestades foi aumentando, no Rio isso não aconteceu. É diferente por ter uma topografia extremamente acidentada, com a presença do oceano e das montanhas. A urbanização não interfere tanto. O número (de tempestades) é praticamente o mesmo - explica Osmar Pinto Junior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe):

- Em São Paulo, por exemplo, dobrou o número de dias de tempestades.

De acordo com dados do sistema Alerta Rio, porém, mostra que a intensidade das chuvas da última terça-feira foi maior que a registrada em junho dos últimos anos. Considerando todas as 33 estações pluviométricas da cidade, a média do último dia 20 foi de 59 mm de chuva em um único dia, 51% maior que a da maior tempestade ocorrida no mesmo mês em 2016.

A estação que apresentou o maior volume de chuva foi a do Alto da Boa Vista, que chegou a 247 mm, mas a que teve a maior alta em relação aos últimos três anos foi a da Tijuca, com crescimento de 249% em relação à média das maiores chuvas do período entre 2016 e 2014.

REGISTRO MAIS ANTIGO DO PAÍS

A série histórica dos dias de tempestades no Rio, considerados aqueles em que foi ouvida pelo menos uma trovoada ou visto pelo menos um relâmpago, começou em 1850 no Observatório Imperial, a partir de um decreto de Dom Pedro II. Desde então, os dados continuam sendo computados pelo Serviço Regional de Proteção ao Voo (SRPV) no aeroporto Santos Dumont.


Capa do documento do Observatório Imperial que continua a publicação da série histórica de tempestades do Rio - Reprodução




Segundo o coordenador do ELAT, no entanto, hoje esses dados estão espalhados. A primeira parte está na biblioteca do Observatório Nacional. A partir de 1912, a série passa a ser atualizada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Os documentos do período entre 1912 e 1949, no entanto, foram enviados para a Brasília com a transferência da sede do instituto, mas até hoje não foram digitalizados. Desde 1950 a série passou a ser atualizada pelo Serviço Regional de Proteção ao Voo (SRPV), da Aeronáutica, nos aeroportos. Os dados, no entanto, ficam guardados em São José dos Campos, no interior de São Paulo, no Centro Tecnológico da Aeronáutica.

- Levamos anos para conseguir esses dados. Ela (a série) continua a ser atualizada todo o mês - conta o pesquisador, que um dia pretende tornar o arquivo completo disponível ao público:

- O levantamento foi feito entre 2008 e 2012. A tendência é que a gente possa disponibilizar, um dia, um link com essas informações. Mas ainda existem alguns buracos no período que os dados ficaram à cargo do Inmet, justamente pelas dificuldades de acesso ao acervo.

VOLUME DE CHUVA RECORDE

Em apenas algumas horas choveu mais do que o esperado no mês de junho inteiro em pelo menos onze bairros da cidade, segundo dados do Alerta Rio. A prefeitura alegou que o volume de água da chuva, somado a uma ressaca e à maré cheia, foi responsável pelos alagamentos registrados principalmente a Zona Sul e a Grande Tijuca. Mas especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam que o principal motivo foi um problema crônico: falta de manutenção do sistema de drenagem.


Fonte: O Globo









Prefeitura de Niterói avança como cidade empreendedora



Plano municipal cuidará de temas como o estímulo a compras governamentais e a expansão da Casa do Empreendedor Foto: Divulgação



Niterói dá mais um passo para o incentivo ao empreendedorismo, criação de novos negócios e geração de emprego e renda ao aderir oficialmente ao Programa Cidades Empreendedoras do Sebrae /RJ. O programa tem como objetivo, alavancar a economia dos municípios e institucionalizar políticas públicas de desenvolvimento para os pequenos negócios, visando o fortalecimento da economia local. A criação de um Comitê Gestor do Plano Municipal de Desenvolvimento para os Pequenos Negócios (PMD), bem como a nomeação de seus integrantes foi um dos pontos de partida para a aplicação na prática dessas medidas, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira ( 21-06).

Em formato de um game, os municípios participantes serão classificados pelo seu desempenho. Cada cidade terá o seu comitê Gestor do PMD. O comitê vai identificar e promover políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e fortalecimento das Microempresas - ME, Empresas de Pequeno Porte – EPP e Microempreendedores Individuais – MEI do município e criação de pequenos negócios, por meio de um Plano de Municipal de Desenvolvimento.

O Sebrae/RJ está lançando o Programa Cidades Empreendedoras em 11 municípios do Estado do Rio. O objetivo é engajar a gestão pública e lideranças locais para que sejam criadas e implantadas políticas públicas voltadas para micro e pequenas empresas. Já o plano municipal cuidará em Niterói de temas como o estímulo a compras governamentais nessas empresas; a expansão da Casa do Empreendedor; a integração do município à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios; a criação e fortalecimento da figura do agente de desenvolvimento; o empreendedorismo nas escolas; e a harmonização das legislações municipais no âmbito dos negócios.

“Niterói se consolida cada vez mais como uma cidade que busca o caminho do empreendedorismo. Esse é mais um passo além de tudo que o prefeito Rodrigo Neves tem feito na área de incentivos para as empresas e criação de projetos. Esse Plano congrega e amadurece esse trajeto da cidade”, afirma Luiz Paulino Moreira Leite, secretário de Desenvolvimento Econômico e Indústria Naval, Petróleo e Gás de Niterói.

Integrarão o Comitê Gestor do PMD os representantes do Núcleo de Gestão Estratégica da Prefeitura; Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria Naval e Petróleo e Gás; Secretaria Executiva; Secretaria de Fazenda; Secretaria de Planejamento, Modernização da Gestão e Controle; Secretaria de Administração; Procuradoria Geral do Município; Secretaria de Urbanismo e Mobilidade; Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade; Secretaria de Educação; Secretaria de Ordem Pública; e Secretaria Municipal de Saúde. Também participarão do comitê representantes das Associação Comercial e Industrial do Estado do Rio de Janeiro, Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói, Sindicato dos Lojistas do Comércio de Niterói e Sindicato dos Contabilistas de Niterói.

“A adesão de Niterói ao Programa Cidades Empreendedora e a criação do Comitê Gestor do Plano Municipal de Desenvolvimento para os Pequenos Negócios mostram que o município está no caminho certo. O compromisso da gestão pública e das lideranças empresariais locais criam o ambiente ideal para o fortalecimento de políticas públicas voltadas para os micro e pequenos negócios. Todos saem ganhando, em mais uma virada de página contra a crise”, diz o coordenador do escritório do Sebrae/RJ no Leste Fluminense, Américo Diniz.

Além de Niterói, participarão do programa Angra dos Reis, Araruama, Duque de Caxias, Itaperuna, Macaé, Nova Iguaçu, Nova Friburgo, Petrópolis, Três Rios e Volta Redonda. Segundo pesquisa do “Data Sebrae”, essas regiões totalizam cerca de 230 mil empresas registradas no Estado do Rio de Janeiro, ou seja, 22% da atividade.

Grande procura na Casa do Empreendedor e incentivo a negócios na cidade

O plano municipal cuidará em Niterói de temas como o estímulo a compras governamentais em empresas, entre elas a expansão da Casa do Empreendedor. Inaugurada em 2016 a Casa do Empreendedor é um espaço que tem como objetivo facilitar e oferecer um tratamento diferenciado aos MEIs (Microempreendedores Individuais), através do Alvará Rápido, pelo sistema E-cidades. Em 48 horas o interessado já sai com Alvará podendo emitir nota fiscal.

O balanço da Secretaria de Desenvolvimento Econômico aponta a vocação empreendedora da cidade mostrando que somente de Janeiro a abril deste ano, 2.103 Microempreendedores Individuais se formalizaram no Portal do Empreendedor. A cidade tem hoje um total de 6.427 Microempreendedores Individuais formalizados com licenciamento municipal.

Confirmando a característica de negócios na cidade, foram 1.044 alvarás concedidos de janeiro a abril deste ano contra 964 concedidos no mesmo período em 2016.

Outras medidas de incentivo ao empreendedorismo foram implementadas pelo prefeito Rodrigo Neves ao longo da sua administração, como pacto fiscal, criação do e-Cidades, projetos de desburocratização e o foco na gestão administrativa. Outras medidas foram: redução, das alíquotas de ISS em 2% para a Indústria Naval; e em 2% para seguradoras e empresas da área de saúde. Medidas como essas, a Lei dos Hotéis.


Fonte: Prefeitura de Niterói












Prefeitura de Niterói lança consulta para população definir prioridades para os próximos quatro anos








A Prefeitura de Niterói lançou, na tarde esta quarta-feira (21/6), o processo de consulta pública para definir, junto com a população, as prioridades na aplicação dos recursos públicos de Niterói. Os jovens poderão fazer críticas, sugestões e contribuições através do Planejamento Participativo da Juventude, que será elaborado anualmente, enquanto a sociedade em geral poderá opinar através do Planejamento Plurianual (PPA), que orientará a administração municipal pelos próximos quatro anos.

Segundo o secretário executivo Axel Grael, que representou o prefeito Rodrigo Neves no lançamento, essa é mais uma das medidas promovidas pela gestão para aproximar o poder público da sociedade, que já inclui iniciativas como o Niterói Que Queremos, a Lei da Transparência e a Prefeitura Móvel.

"O que estamos fazendo aqui não é novidade no atual governo. Nós inauguramos a gestão em 2013 com todo esse processo, que culminou no Niterói que Queremos, livro que projeta a nossa cidade até 2033. Nele estão contidos os trabalhos das equipes da prefeitura, mas, acima de tudo, as contribuições de 10 mil pessoas para a cidade. Eu acho que essa escuta permanente da sociedade e esse esforço de planejamento são o segredo dos bons resultados que temos alcançados nessa gestão. Nessa gestão a gente consulta e tira os projetos do papel. Isso faz diferença porque todos nós passamos a entender que fazemos parte do mesmo projeto. O mais importante é que nesse processo participativo a gente consegue o lastro social para que essas políticas públicas sejam da cidade, da sociedade. As pessoas não incorporam essas políticas como sendo delas se não participarem. E estamos fazendo um esforço grande para isso. Nós estamos zerando um déficit de planejamento para 30 anos. Estamos fazendo isso não com um planejamento de gabinete, mas com um planejamento no qual ouvimos a sociedade", explica Axel Grael.

A pesquisa pode ser respondida pelo aplicativo para celular Colab – plataforma já adotada pela Prefeitura que permite aos usuários fiscalizar e colaborar para a solução de problemas da cidade. A consulta pública foi desenvolvida em parceria com a empresa e os mais de 4,5 mil usuários de Niterói já cadastrados receberão convites para participar do planejamento. Para utilizar a ferramenta digital, basta acessar o site colab.re/Niteroi, ou baixar o aplicativo em um smartphone (disponível para IOS e Android). Os moradores também podem participar pelo site www.participaniteroi.com.br e presencialmente nas plenárias e audiências públicas que estão sendo organizadas pela Prefeitura. A consulta ficará disponível até 21 de agosto.

A secretária de Planejamento, Modernização da Gestão e Controle, Giovanna Victer, explica que o PPA está integrado ao planejamento estratégico Niterói Que Queremos e que os cidadãos poderão opinar sobre as prioridades para a gestão em áreas como Saúde, Educação, Transportes e Saneamento, entre outros.

"Esse processo de consulta representa o compromisso do governo não só de ouvir a população, mas também de colocar em prática o que será sugerido pelos cidadãos. Estamos hoje aqui lançando o projeto de consulta à população, especialmente a juventude, para que digam como querem que Niterói esteja nos próximos quatro anos. A participação é o modo de governar desta gestão. Quando ouvimos à população, o governo é mais eficiente. Esse processo trata o cidadão na plenitude de sua cidadania", afirma a secretária, destacando que o PPA é uma ferramenta de planejamento que todo governo precisa elaborar no primeiro ano de mandato, a partir dos compromissos assumidos com a população.

Juventude – Pela primeira vez Niterói terá um Planejamento Participativo da Juventude, onde os jovens entre 15 e 29 anos poderão se manifestar sobre os projetos da Prefeitura em cada uma das áreas e regiões da cidade. A pesquisa para os jovens aborda assuntos como mobilidade, geração de emprego, cultura, esporte e terá um espaço livre para exposição de opiniões.

Além da consulta pelo aplicativo e site, os jovens poderão participar de maneira presencial nos fóruns de discussões regionais, que acontecerão ao longo dos meses de junho, julho e agosto, no Centro, na Zona Sul na Região Oceânica, na Zona Leste, em Pendotiba e na Zona Norte. A iniciativa será divulgada em escolas, universidades e locais de grande frequência de jovens, fomentando discussões.

“Além de manter o diálogo aberto, queremos estimular a participação do jovem na democracia e reforçar o sentimento de pertencimento dele. Após ouvir as opiniões, vamos elaborar um calendário de entregas baseado nas solicitações dos jovens niteroienses, com enfoque nas necessidades de cada região”, finaliza o coordenador de Políticas Públicas da Juventude, Robson Guimarães Filho, o Binho.

O lançamento da projeto de participação foi realizado na Biblioteca Parque de Niterói, com a presença de secretários municipais, da primeira dama do município, Fernanda Sixel, de lideranças comunitárias e de representantes da sociedade civil.


Fonte: Prefeitura de Niterói



-------------------------------------------------------------


LEIA TAMBÉM:

PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: Vem construir o futuro de Niterói com a gente! 
ESCALA BRASIL DE TRANSPARÊNCIA: Niterói conquista nota dez em transparência Niterói Que Queremos em nova fase  Medidas implantadas na cidade que sanearam dívidas e propiciaram investimentos são apresentadas a políticos e empresários em SP



 



quarta-feira, 21 de junho de 2017

PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: Vem construir o futuro de Niterói com a gente!











Foi lançado hoje o planejamento participativo de Niterói, uma consulta pública que vai definir as prioridades da Prefeitura para os próximos anos.

O Planejamento Plurianual vai definir as ações nos próximos 4 anos e o Planejamento Participativo da Juventude vai manter o diálogo aberto com os jovens da cidade, cuidando de temas como segurança, mobilidade, esporte, lazer, cultura e muito mais.




O site está disponível para que você dê a opinião e colabore por uma cidade melhor para se viver. A participação de todos é fundamental!

A consulta está disponível aqui: http://www.participaniteroi.com.br/

PARTICIPE E AJUDE A DIVULGAR!!!








PARQUES: Biodiversidade marinha aumenta em áreas protegidas





Peter Moon | Agência FAPESP – Viti Levu é a maior ilha da República de Fiji, na Oceania. Na costa sudoeste de Viti Levu há uma extensa plataforma de recifes de coral que acompanha o desenho do litoral. Os corais começam a surgir a poucos metros da praia e se estendem até cerca de um quilômetro em direção do oceano.

Nas últimas décadas, em função do aumento do turismo e do crescimento populacional da ilha (hoje com 600 mil habitantes), diversas áreas da costa de coral foram se deteriorando, a partir da pesca de subsistência ou predatória, da coleta de material dos recifes e da destruição direta dos recifes.

Mas há exceções. Ao longo da costa de corais existem áreas marinhas protegidas, dentro das quais são proibidas qualquer forma de pesca ou coleta. O resultado é que a quantidade de corais dentro das áreas protegidas é até três vezes maior do que nas porções não protegidas do recife. Em outras palavras, a existência das áreas protegidas – mesmo que em áreas muito pequenas, como é o caso – é vital para a manutenção da biodiversidade do recife como um todo.

O sucesso da estratégia de conservação só foi possível graças à adesão de comunidades locais. Essas são algumas das conclusões da pesquisa que a bióloga Roberta Martini Bonaldo realizou na costa de corais de Viti Levu.

Bonaldo elegeu os corais de Fiji para seu trabalho de campo em dois programas de pós-doutorado, o primeiro no Departamento de Biologia do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos, e o segundo no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), este com Bolsa da FAPESP.

No primeiro pós-doutorado, entre 2010 e 2012, ela foi responsável pelo gerenciamento de uma estação de pesquisa na ilha de Votua em Viti Levu. O objetivo foi estudar a composição da vida marinha no interior das áreas marinhas protegidas da costa de corais da ilha, para poder comparar com a situação do habitat nas porções não protegidas. O resultado de seu trabalho acaba de ser publicado na PLOS ONE.

Além do gerenciamento da estação, Bonaldo desenvolveu estudos comparativos da estrutura de comunidades bentônicas e de peixes e de interações ecológicas (competição coral-alga, herbivoria, formação de cardumes) entre áreas marinhas protegidas e não protegidas em Fiji, para analisar os efeitos da pesca e degradação marinha sobre os sistemas estudados.

“Fiji foi escolhida porque a maioria das áreas protegidas locais, senão todas, é gerida por comunidades que vivem em vilas junto às reservas”, disse a atualmente pesquisadora associada ao Grupo de História Natural de Vertebrados da Universidade Estadual de Campinas, à Agência FAPESP.

As áreas marinhas protegidas de Viti Levu foram criadas entre 2002 e 2003. Quando da sua criação, a cobertura de coral era muito baixa (7% da área protegida) e a cobertura de macroalgas era alta (de 35% a 45% da área protegida).

Nas áreas protegidas, a pesca e o uso de qualquer forma de coleta são proibidos. As restrições são observadas pelas populações locais, que também fiscalizam para se certificarem de que outras pessoas, como turistas, não entrem nas áreas proibidas.

“O fato de a população local ser empenhada em preservar o recife é fundamental na estratégia de conservação dos recifes em Viti Levu”, disse Bonaldo.

A bióloga estudou três áreas protegidas que ficam diante de três pequenas comunidades, as vilas de Votua, Vatu-o-lalai e Namada. Ela se lembra muito bem das impressões que teve durante o primeiro contato com os corais de Viti Levu.

“Só uma pequena parte dos recifes fica dentro dos limites de áreas marinhas protegidas. Quando entrei na água, ainda na área não protegida, fiquei chocada com as más condições do recife. Tinha muito coral morto e o recife estava tomado por algas”, disse a pesquisadora, que tem experiência como mergulhadora, fotógrafa submarina e cinegrafista.

Além da menor quantidade de corais, havia menos peixes dentro das áreas não protegidas. Na ausência de peixes herbívoros, a população de algas explodiu fora de controle. Os recifes estudados são bastante raros, e algumas porções do recife ficam quase descobertas durante a maré baixa.

“As pessoas andam sobre as poças na maré baixa para pegar peixes e polvos e, conforme pisam sobre os corais, podem quebrar as colônias, principalmente as mais delicadas. Já na maré alta, os recifes ficam a uns dois metros de profundidade da água. É quando é possível nadar sobre o recife”, disse.

Prosseguindo em seu mergulho, Bonaldo cruzou uma linha de boias que delimita a área protegida do recife. “Na hora em que cruzei as boias, foi como se tivesse saído do caos para entrar no paraíso. Conforme fomos entrando na área protegida, surgiram peixes cada vez maiores. Fiquei surpresa com a grande diversidade de vida submarina e a densidade de corais dentro de uma área tão pequena, de menos de um quilômetro quadrado”, disse.

Bonaldo realizou um censo dos peixes que vivem nos recifes. Dividiu-os em dois grandes grupos, dos peixes herbívoros e dos não herbívoros. Os peixes herbívoros foram classificados por sua vez em quatro categorias: podadores, pastadores, peixes-papagaios raspadores e peixes-papagaios escavadores.

Os podadores removem macroalgas maduras e os pastores comem a parte superior de comunidades de algas pequenas (com menos de 1 centímetro de comprimento) presas ao recife, deixando as porções da base da alga intactas. Há ainda os peixes-papagaios raspadores, que se alimentam de comunidades de algas pequenas raspando seus “bicos” no recife, e os peixes-papagaio escavadores, que removem toda a alga e porções do substrato consolidado ao se alimentarem.

Os dados coletados por Bonaldo permitiram chegar às seguintes conclusões: a remoção de algas pelos peixes-papagaio é de três a seis vezes maior nas áreas marinhas protegidas do que nas não protegidas. As análises contaram com a ajuda de outro pesquisador brasileiro, Mathias M. Pires, com pós-doutorado apoiado pela FAPESP.

"As áreas marinhas protegidas tinham em média até três vezes (de 260% a 280%) mais cobertura de coral do que as não protegidas".


As áreas marinhas protegidas tinham em média até três vezes (de 260% a 280%) mais cobertura de coral do que as não protegidas. Nessas últimas, a quantidade de macroalgas era entre quatro e 20 vezes maior do que nas áreas marinhas protegidas.

Recifes no Brasil

Mesmo sendo as áreas marinhas protegidas de Fiji muito pequenas, Bonaldo pôde verificar o sucesso da estratégia conservacionista para a preservação da diversidade do recife de corais como um todo.

“Uma questão central para a conservação da biodiversidade – não só biodiversidade marinha – é o quão grande uma reserva deve ser para realmente gerar benefícios”, disse Paulo Roberto Guimarães Junior, professor no Departamento de Ecologia do IB-USP e orientador do pós-doutorado de Bonaldo.

“A questão é relevante, pois fatores sociais, econômicos e logísticos impõem limites para o tamanho da reserva. O que Roberta conseguiu demonstrar foi que há evidência para efeitos positivos em reservas marinhas mesmo quando essas são muito pequenas, como é o caso das áreas marinhas protegidas em Fiji”, disse.

“No Brasil há alguns recifes de corais, sobretudo na região de Abrolhos. Porém, mesmo os recifes de corais brasileiros são bem diferentes dos que estudei em Fiji, cuja base são espécies de corais do gênero Acropora, principalmente colônias muito ramificadas e de crescimento rápido, em alguns casos mais de 10 centímetros por ano”, disse Bonaldo.

No Brasil, não há espécies de Acropora. Os principais corais formadores de recife de corais são do gênero Mussismilia. Os Mussismilia têm forma massiva, semelhante a rochas, e geralmente seu crescimento é mais lento que os Acropora, porém são mais resistentes às altas taxas de sedimentação e a maior turbidez da água.

Segundo Bonaldo, a costa brasileira é bem menos biodiversa em espécies recifais do que a região de Fiji, mas ambas compartilham famílias de peixes, como Acanthuridae (do peixe-cirurgião e do peixe-unicórnio), Labridae (do bodião) e Serraidae (das garoupas, chernes e meros), entre outras.

“Penso que há potencial para aplicar experiências similares (às pequenas áreas marinhas protegidas de Fiji) não só em ecossistemas marinhos, mas em qualquer tipo de ecossistema. Por exemplo, seria interessante usar sistemas pareados de microrreservas para estudar se essas microrreservas mantêm processos ecossistêmicos na Mata Atlântica ou na Caatinga”, disse Guimarães, também autor do artigo na PLOS One.

“Acrescento que nosso estudo mostra a importância das áreas protegidas, em terra ou em mar, serem, de fato, bem geridas. No caso de Fiji, a participação dos habitantes locais no cuidado das áreas foi fundamental para que as reservas, mesmo que pequenas, dessem bons resultados”, disse Bonaldo.

O artigo Small Marine Protected Areas in Fiji Provide Refuge for Reef Fish Assemblages, Feeding Groups, and Corals (doi:10.1371/journal.pone.0170638), de Roberta M. Bonaldo , Mathias M. Pires, Paulo Roberto Guimarães Junior, Andrew S. Hoey, Mark E. Hay, pode ser lido em: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0170638.


Fonte: Agência FAPESP











MUDANÇAS CLIMÁTICAS: Nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas



País, contudo, não possui estudo integrado da vulnerabilidade das cidades litorâneas ao fenômeno, aponta relatório especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (imagem: Ponta da Praia, em Santos/Leandro Negro/Agência FAPESP)


Elton Alisson | Agência FAPESP – O nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas. No Brasil, contudo, onde mais de 60% da população vive em cidades costeiras, não há um estudo integrado da vulnerabilidade dos municípios litorâneos a este e a outros impactos decorrentes das mudanças climáticas, como o aumento da frequência e da intensidade de chuvas. Um estudo desse gênero possibilitaria estimar os danos sociais, econômicos e ambientais e elaborar um plano de ação com o intuito de implementar medidas adaptativas.

As conclusões são do relatório especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) sobre “Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas”, lançado nesta segunda-feira (05/06) durante um evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

A publicação tem apoio da FAPESP e parte dos estudos nos quais se baseia são resultado do Projeto Metrópole e de outros projetos apoiados pela Fundação no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas, financiado pela Fundação e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A ideia do relatório foi mostrar o estado da arte sobre mudanças de clima e cidades costeiras, baseado em uma exaustiva revisão de publicações internacionais e nacionais sobre o tema, e também identificar lacunas no conhecimento para que os formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão no Brasil possam propor e implementar medidas de adaptação”, disse José Marengo, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e um dos autores e editores do relatório, à Agência FAPESP.

De acordo com dados do documento, entre 1901 e 2010 o nível médio do mar globalmente aumentou 19 centímetros – com variação entre 17 e 21 centímetros.

"... entre 1901 e 2010 o nível médio do mar globalmente aumentou 19 centímetros – com variação entre 17 e 21 centímetros.

"Entre 1993 e 2010, a taxa de elevação correspondeu a mais de 3,2 milímetros (mm) por ano – com variação entre 2,8 e 3,6 mm por ano".


Entre 1993 e 2010, a taxa de elevação correspondeu a mais de 3,2 milímetros (mm) por ano – com variação entre 2,8 e 3,6 mm por ano.

No Brasil também há uma tendência de aumento do nível do mar nas regiões costeiras com algum grau de incerteza porque não há registros históricos contínuos e confiáveis, ponderam os autores.

“Ainda não conseguimos detectar o aumento do nível do mar no Brasil por conta das poucas observações existentes e de estudos de modelagem para avaliar os impactos. Mas já identificamos por meio de estudos regionais diversas cidades de médio e grande porte que apresentam alta exposição à elevação do nível relativo do mar e já têm sofrido os impactos desse fenômeno, particularmente na forma de ressacas e inundações”, disse Marengo.

"Nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, têm sido registradas taxas de aumento do nível médio do mar de 1,8 a 4,2 mm por ano desde a década de 1950".


Entre essas cidades, onde 60% da população reside na faixa de 60 quilômetros da costa, estão Rio Grande (RS), Laguna e Florianópolis (SC), Paranaguá (PR), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Salvador (BA), Maceió (AL), Recife (PE), São Luís (MA), Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, têm sido registradas taxas de aumento do nível médio do mar de 1,8 a 4,2 mm por ano desde a década de 1950.

Na cidade de Santos, no litoral sul paulista, onde está situado o maior porto da América Latina, o nível do mar tem aumentado 1,2 mm por ano, em média, desde a década de 1940. Além disso, ocorreu um aumento significativo na altura das ondas – que alcançava 1 metro em 1957 e passou a atingir 1,3 m, em 2002 – e na frequência de ressacas no município.

"Na cidade de Santos (...) o nível do mar tem aumentado 1,2 mm por ano, em média, desde a década de 1940. Além disso, ocorreu um aumento significativo na altura das ondas – que alcançava 1 metro em 1957 e passou a atingir 1,3 m, em 2002 – e na frequência de ressacas no município".


Já no Rio de Janeiro, a análise dos dados da estação maregráfica da Ilha Fiscal – que tem a série histórica mais antiga do Brasil e fica no meio da Baía da Guanabara – indica uma tendência média de aumento do nível do mar de mais ou menos 1,3 mm por ano, com base nos dados mensais do nível do mar do período de 1963 a 2011 e com um índice de confiança de 95%.

"... no Rio de Janeiro, a análise dos dados da estação maregráfica da Ilha Fiscal – que tem a série histórica mais antiga do Brasil e fica no meio da Baía da Guanabara – indica uma tendência média de aumento do nível do mar de mais ou menos 1,3 mm por ano".


Por sua vez, em Recife o nível do mar aumentou 5,6 mm entre 1946 e 1988 – o que corresponde a uma elevação de 24 centímetros em 42 anos. A erosão costeira e a ocupação do pós-praia provocaram uma redução da linha de praia em mais de 20 metros na Praia de Boa Viagem – a área da orla mais valorizada da cidade –, apontam os autores do relatório.

“Existem poucas observações como essas em outras regiões do país. Quando tentamos levantar dados dos últimos 40 ou 100 anos sobre o aumento do nível do mar em outras cidades do Nordeste, como Fortaleza, por exemplo, é difícil encontrar”, disse Marengo.

Impactos socioeconômicos

De acordo com os autores do relatório, as mudanças climáticas e um acelerado ritmo de elevação do nível do mar podem causar sérios impactos nas áreas costeiras do Brasil.

Os impactos socioeconômicos seriam mais restritos às vizinhanças das 15 maiores cidades litorâneas, que ocupam uma extensão de 1,3 mil quilômetros da linha costeira – correspondente a 17% da linha costeira do Brasil.

"Os impactos socioeconômicos seriam mais restritos às vizinhanças das 15 maiores cidades litorâneas, que ocupam uma extensão de 1,3 mil quilômetros da linha costeira – correspondente a 17% da linha costeira do Brasil".


Entre as principais consequências da elevação do nível do mar, entre diversas outras, estão o aumento da erosão costeira, da frequência, intensidade e magnitude das inundações, da vulnerabilidade de pessoas e bens e a redução dos espaços habitáveis.

“Os impactos mais evidentes da elevação do nível do mar são o aumento da frequência das inundações costeiras e a redução da linha de praia. Mas há outros não tão perceptíveis, como a intrusão marinha, em que a água salgada do mar começa a penetrar aquíferos e ecossistemas de água doce”, ressaltou Marengo.

As projeções do quinto relatório (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) são que a elevação do nível do mar globalmente varie entre 0,26 e 0,98 metro até 2100 – em um cenário mais pessimista. O relatório apresenta estimativas similares para a costa brasileira.

O "relatório do IPCC)" projeta "que a elevação do nível do mar globalmente varie entre 0,26 e 0,98 metro até 2100 – em um cenário mais pessimista. O relatório apresenta estimativas similares para a costa brasileira".


Considerando que a probabilidade de inundações aumenta com a elevação do nível do mar pode ser esperada uma maior probabilidade de inundações em áreas que apresentam mais de 40% de mudanças no nível do mar observadas nos últimos 60 anos – como é o caso de várias metrópoles costeiras brasileiras, ressaltam os autores.

"Os seis municípios fluminenses mais vulneráveis à elevação do nível do mar, de acordo com estudos apresentados no relatório, são Parati, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé e Campos dos Goytacazes".


As inundações costeiras serão mais preocupantes no litoral do Nordeste, Sul e Sudeste, e também podem afetar o litoral sul e sudoeste da cidade do Rio de Janeiro. Os seis municípios fluminenses mais vulneráveis à elevação do nível do mar, de acordo com estudos apresentados no relatório, são Parati, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé e Campos dos Goytacazes.

“A combinação do aumento do nível do mar com tempestades e ventos mais fortes pode provocar danos bastante altos na infraestrutura dessas cidades”, estimou Marengo.

Exemplo de plano

O documento destaca o Plano Municipal de Adaptação à Mudança de Clima (PMAMC) da cidade de Santos como exemplo de plano de ação para adaptação às mudanças de clima e os seus impactos nas cidades [Leia mais sobre o assunto em http://agencia.fapesp.br/21997/].

A elaboração do plano foi baseada nos resultados do Projeto Metrópole, coordenado por Marengo.

O estudo internacional estimou que a inundação de áreas costeiras das zonas sudeste e noroeste de Santos, causada pela combinação da elevação do nível do mar com ressacas, marés meteorológicas e astronômicas e eventos climáticos extremos, pode causar prejuízos acumulados de quase R$ 2 bilhões até 2100 se não forem implementadas medidas de adaptação.

O estudo é realizado por pesquisadores do Cemaden, dos Institutos Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Geológico (IG) e das Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas da University of South Florida, dos Estados Unidos, do King’s College London, da Inglaterra, além de técnicos da Prefeitura Municipal de Santos.

“Nossa intenção é aplicar essa metodologia utilizada em Santos em outras cidades litorâneas brasileiras para termos pelo menos uma estimativa inicial do custo de adaptação à elevação do nível do mar”, disse Marengo.

Fonte: Agência FAPESP










Ambientes marinhos e de água doce no Brasil sofrem com poluição por microplásticos



Minúsculos detritos de plástico estão presentes em larga escala em praias e rios no país, têm sido ingeridos por peixes e pequenos organismos e causado efeitos tóxicos em moluscos, apontam estudos (foto: Pryscilla Resaffe)



Elton Alisson | Agência FAPESP – Além de garrafas PET, sacolas e embalagens de alimentos, entre outros objetos, os ambientes marinhos e de água doce em todo o mundo têm sido contaminados com minúsculos detritos, conhecidos como microplásticos, com tamanho menor que 5 milímetros, como fibras e pequenos resíduos gerados pela fragmentação de grandes pedaços de plástico.

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus da Baixada Santista, em colaboração com colegas de outras universidades e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, constatou que esses microplásticos também estão presentes em larga escala em praias e rios no Brasil.

Os pesquisadores também observaram que algumas espécies de peixes de água doce e de pequenos organismos marinhos ingerem frequentemente esses microplásticos, e que os contaminantes liberados por esses poluentes causam efeitos tóxicos para espécies de moluscos, como os mexilhões marrons (Perna perna).

Os resultados dos estudos, coordenados por Luiz Felipe Mendes de Gusmão com apoio da FAPESP, foram publicados nas revistas Environmental Pollution e Water Research.

“Temos observado a poluição generalizada por microplásticos tanto de ecossistemas marinhos como de ambientes de água doce”, disse Gusmão, professor da Unifesp da Baixada Santista e coordenador das pesquisas, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, enquanto resíduos de plástico grandes, como sacolas, tampinhas e garrafas PET, são relativamente fáceis de serem vistos e retirados da areia de uma praia, os microplásticos são quase impossíveis de serem removidos por serem muito pequenos e praticamente imperceptíveis a olho nu. Por isso, tem se observado um aumento do acúmulo desse tipo de poluente em praias de todo o mundo, apontou

“Os microplásticos que entram em um ambiente de água doce são transportados, via os rios, até os oceanos. E quando chegam aos oceanos esses fragmentos de plástico são transportados por correntes marinhas e tendem a ficar em suspensão na coluna d’água ou encalharem em praias”, explicou.

Uma vez que essas partículas de plástico têm sido encontradas de forma generalizada em ambientes marinhos e de água doce em todo o mundo, o pesquisador, em colaboração com colegas no Brasil e no exterior, começou a monitorar nos últimos anos a presença desses poluentes em ambientes aquáticos no país.

Os primeiros locais escolhidos foram as praias de Itaquidantuva e de Paranapuã, situadas na reserva ambiental de Xixová-Japuí, localizada entre os municípios da Praia Grande e São Vicente, na baixada santista, em São Paulo.

Durante um ano os pesquisadores coletaram semanalmente nas áreas das duas praias pellets de plástico – grânulos de plástico, com diâmetro inferior a 10 milímetros, utilizados na fabricação de produtos plásticos.

Os resultados das análises indicaram uma altíssima concentração desse tipo de microplástico. “Observamos pellets de plástico, de diferentes cores e tamanhos, se acumulando na praia de Paranapuã o ano inteiro. Em alguns momentos, as praias ficavam cheias desses microplásticos, e em outros momentos eles sumiam temporariamente em razão de fatores como a circulação oceânica, as ondas e o regime de ventos”, afirmou.

Efeitos tóxicos

De acordo com o pesquisador, algumas características que potencializam o efeito nocivo do plástico em ambientes marinhos e de água doce são que a maioria dos polímeros comuns – como o polipropileno e o poliestireno – degradam muito lentamente e são leves – o que permite serem transportados com facilidade pelas correntes oceânicas e permanecerem por muito tempo no ambiente marinho

Ao permanecerem por longo tempo no ambiente, as moléculas de contaminantes presentes em um meio aquático, como metais pesados e pesticidas, começam a aderir à superfície dos plásticos e podem atingir concentrações extremamente altas. Além disso, esses resíduos de plástico também possuem aditivos presentes na composição do material, como corantes, dispersantes e protetores contra raios ultravioleta.

Com o passar do tempo, os fragmentos de plástico tendem a liberar esses contaminantes no ambiente aquático, explicou Gusmão.

“Se os microplásticos forem ingeridos pela fauna marinha, os poluentes aderidos na sua superfície podem ser liberados no tubo digestivo do animal, o que pode causar efeitos tóxicos”, ressaltou.

A fim de avaliar a potencial toxicidade para organismos marinhos dos contaminantes liberados por microplásticos, os pesquisadores da Unifesp, em colaboração com colegas da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Santa Cecília, realizaram experimentos em que expuseram larvas de mexilhões marrons a amostras de pellets de plástico que recolheram nas praias de Itaquidantuva e de Paranapuã e também a pellets virgens.

Os resultados das análises indicaram que os contaminantes liberados pelos pellets de plástico afetaram o desenvolvimento embrionário dos moluscos.

As larvas expostas aos pellets de plástico virgens apresentaram alta taxa de mortalidade, enquanto nenhuma das larvas expostas aos pellets de plástico recolhidos das duas praias conseguiu se desenvolver.

As observações sugeriram que os contaminantes aderidos à superfície dos pellets de plástico recolhidos das praias foram os responsáveis pelos efeitos tóxicos no desenvolvimento das larvas expostas aos microplásticos, enquanto a morte das larvas expostas aos pellets virgens foi devido provavelmente aos aditivos químicos do próprio material.

“Somente a exposição aos microplásticos, sem que ingerissem, fez com que as larvas morressem”, disse Gusmão.

A poluição marítima também mobiliza a ONU Meio Ambiente que lança nesta quarta-feira (07/06), no Brasil, a campanha “Mares Limpos”, que durante cinco anos terá ações para conter a maré de plásticos que invade os oceanos. O evento acontece no AquaRio, no Rio de Janeiro, como parte das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho.

No Brasil, a campanha trabalhará na mobilização de governos, parlamentares, sociedade civil e setor privado para fortalecer ações que reduzam a contribuição do país ao problema global dos plásticos que acabam nos mares. Os esforços da campanha se concentrarão em buscar uma drástica redução no uso de plásticos descartáveis e o banimento de microesferas de plástico em cosméticos e produtos de higiene, além de apoiar a elaboração do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, capitaneado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Ingestão

Os pesquisadores da Unifesp também avaliaram se pequenos organismos marinhos são capazes de ingerir microplásticos encontrados em seus habitats.

Em um estudo realizado em colaboração com colegas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), das Universidades Federais do Rio Grande (FURG) e do Paraná (UFPR), além da University of Copenhagen, da Dinamarca, e do Instituto de Estudos Ecossistêmicos, da Itália, eles examinaram o conteúdo intestinal da meiofauna (animais que medem menos de 1 milímetro e vivem enterrados entre grãos de areia das praias) de seis praias situadas no Brasil, na Itália e nas Ilhas Canárias, na Espanha.

As análises laboratoriais revelaram que três espécies comuns de anelídeos, do gênero Saccocirrus, tinham microfibras (fibras provenientes de cordas e fios de pesca e de tecidos de roupas, entre outras) em seus intestinos, mas sem apresentar lesões físicas aparentes.

“Constatamos que mesmo organismos marinhos desse porte podem interagir com microplásticos”, disse Gusmão.

Em outro estudo, os pesquisadores da Unifesp, em colaboração com colegas das Universidades Federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliaram a ingestão de microplásticos por um peixe de água doce comum e muito consumido em regiões semiáridas na América do Sul: o caborja (Hoplosternum littorale).

Para realizar o estudo, eles analisaram o intestino de espécimes do peixe de um rio intermitente que passa pela cidade de Serra Talhada, no interior de Pernambuco, capturadas por pescadores da região.

Os resultados das análises indicaram que 83% dos peixes tinham detritos plásticos em seus intestinos – a maior proporção relatada para uma espécie de peixe de água doce no mundo até o momento.

A maioria dos detritos plásticos (88,6%) extraídos do estômago dos peixes era microplásticos com tamanho de até 5 milímetros, e as fibras foram o tipo de microplástico mais frequente (46,6%) ingerido pelos animais.

Os pesquisadores também observaram que os peixes consumiam mais microplásticos nas regiões mais urbanizadas do rio.

“Hoje tem sido muito discutido como diminuir os impactos causados por resíduos de plásticos grandes em ambientes e organismos marinhos e de água doce, mas a poluição por microplásticos também representa um problema muito sério”, disse Gusmão.

“É preciso repensar a cadeia de produção do plástico, que é um produto importante para a sociedade, de modo a reduzir a chance dele chegar ao ambiente”, avaliou.

O artigo “Leachate from microplastics impairs larval development in brown mussels’ (doi:10.1016/j.watres.2016.10.016), de Gusmão e outros, pode ser lido por assinantes da Water Research em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0043135416307667.

O artigo “In situ ingestion of microfibres by meiofauna from sandy beaches” (doi: 10.1016/j.envpol.2016.06.015) pode ser lido por assinantes da revista Environmental Pollution em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0269749116305036.

E o artigo “Microplastics ingestion by a common tropical freshwater fishing resource” (doi: 10.1016/j.envpol.2016.11.068) pode ser lido por assinantes da mesma revista em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S026974911632396X.


Fonte: Agência FAPESP 









Ondas de calor afetarão meio mundo (literalmente!) no fim do século





Projeções de dias de calor mortal (o vermelho indica maior frequência no ano) nos cenários de emissões moderadas (no alto) e altas (acima). Fonte: “Nature Climate Change”




Estudo indica que 48% da população da Terra estará exposta a temperaturas mortíferas até 2100, mesmo que a emissão de gases de efeito estufa seja reduzida drasticamente

LUCIANA VICÁRIA
DO OC


As ondas de calor vão se multiplicar nos próximos anos, revela uma ampla análise publicada hoje (19) no periódico Nature Climate Change. Estima-se que atualmente cerca de 30% da população mundial esteja exposta anualmente a um misto de calor e umidade que pode levar à morte. Até 2100, porém, quase metade da população (48%) do planeta sentirá os efeitos das ondas de calor em um cenário de redução dramática de gases de efeito estufa. Já se a liberação de poluentes continuar a aumentar no ritmo atual, as ondas de calor vão ameaçar sete em cada dez seres humanos.

A metanálise, como é chamado esse tipo de estudo, avaliou 783 episódios mortais de ondas de calor com duração de mais de 20 dias, registrados em dezenas de estudos científicos por mais de 30 anos. Foram 164 cidades de 36 países analisadas, entre elas, Nova York, Washington, Los Angeles, Chicago, Toronto, Londres, Pequim, Tóquio, Sidney e São Paulo. “As projeções variam entre o ruim e o terrível, até o melhor dos cenários está longe de ser favorável”, disse o colombiano Camilo Mora, professor associado da Universidade do Havaí, em Manoa, coordenador do estudo. “Se as emissões não forem reduzidas drasticamente teremos de lidar com mortes em massa em níveis nunca experimentados em nossa história”, disse.

Ao analisar as ondas de calor e seus efeitos ao longo da história, os cientistas conseguiram identificar as combinações letais entre umidade e temperatura em cada canto da Terra. Em São Paulo, por exemplo, temperaturas esbarrando nos 30 graus e percentual de umidade acima dos 90% são sinal de alerta para ondas de calor com potencial letal. Um mapa interativo permite selecionar a localidade, contar o número de dias de ameaça por ano e identificar a combinação perigosa entre temperatura e umidade.

Para dar uma ideia, até 2100, Nova York deverá ter cerca de 50 dias por ano com temperaturas e umidades superiores ao limiar em que as pessoas morreram anteriormente. O número de dias mortíferos para Sidney será de 20; e, para Los Angeles, de 30. Todo o verão de Orlando e Houston terão potencial de matar por calor. Em 2050, num cenário moderado de redução de emissões, São Paulo poderá ter cinco dias letais por ano. Em Cuiabá seriam 116.

O estudo também revelou que o maior risco para a vida humana vai estar nas áreas tropicais, devido ao clima quente e úmido. Para latitudes mais altas, o risco de calor mortal é limitado ao verão. As ondas de calor acontecem quando temperatura alta e umidade elevada se prolongam por mais de três dias, com temperaturas acima de 85% da média do mês mais quente.

Estudos anteriores já haviam projetado o aumento das ondas de calor, mesmo diante de temperaturas médias abaixo do 1,5° C, limite ideal estabelecido pelo Acordo de Paris. Também mostraram que países em desenvolvimento, como a Índia, com populações vulneráveis e condições climáticas específicas, como baixa latitude, alta umidade e calor intenso, terão de conviver com mais ondas de calor pelos próximos anos. Na Índia, basta mais meio grau Celsius na temperatura média para multiplicar por 2,5 a frequência, a intensidade e a duração das ondas de calor.

Mas afinal, como o calor é capaz de matar? O corpo humano está “programado” para funcionar dentro de uma faixa estreita de temperatura corporal, que varia em torno dos 37°C. O ambiente quente e úmido faz o corpo perder a capacidade de dissipar o próprio calor, gerando o que se chama de estresse térmico. A hipertermia pode levar à perda progressiva de funções vitais, condição que pode atingir, especialmente, grupos mais vulneráveis, como populações mais pobres, idosos e crianças. “Há dois desafios para reduzirmos o risco de morte que os números insistem em nos mostrar. O primeiro deles é reduzir as emissões de gases urgentemente, ao contrário do que preconiza o líder dos EUA, Donald Trump. O segundo desafio é investirmos em planos de adaptação para as áreas mais vulneráveis”, diz Mora.









Como Barcelona abriu espaços para áreas verdes



A rendering of Barcelona's planner green corridor network, showing the enlarged park at Plaça de les Glories Catalans at its heart. (Ajuntament de Barcelona)


Built-Out Barcelona Makes Space for an Urban Forest

The city is planning a major green makeover to combat the heat island and create a more welcoming place for humans and animals alike.

Feargus O'Sullivan 

When a city needs green space, but it’s all out of room, what can it do?

It’s an issue that many older, denser cities are facing as they try to make themselves more amenable to their citizens and the environment. For Barcelona, this challenge requires especial ingenuity. Take a walk around what is one of Europe’s most densely populated city cores and you’d be forgiven for pronouncing the place full.

With an intense knot of historic masonry at its heart, Spain’s second city doesn’t display the most obvious potential as a future green paradise. But it badly needs new green spaces to battle its heat island effect, manage air and noise pollution, and generally improve citizens’ quality of life.

That’s why, on Monday, the city nonetheless rolled out a paradigm-shifting re-greening program, one that will double the number of trees in the city, increase park space by two thirds, and give each citizen an extra square meter of green areas. The urban plan, which will deliver 108 acres of new green space by 2019 and over 400 acres by 2030 is a model of ingenuity that could serve as a model for other cities.

Barcelona’s problem is not that it currently lacks parks. Its Parc de Collserola, which extends out from its western suburbs, covers a vast 80 square kilometres. The problem is that its green space is very unevenly distributed. Almost all of Barcelona’s larger parks are on the slopes rising up to the modest mountain range that backs the city. This works well as a weekend getaway and general backdrop, but they’re far from the city’s centers of activity.

In its core, Barcelona is built up more or less to the last square inch, with a network of historic streets and alleys supporting a population density greater than Manhattan’s. This area’s sea of buildings is sometimes softened with avenues of trees, small gardens, and one modest but beautiful park—but it can still feel heavy-aired and claustrophobic on Barcelona’s many hot days.




View from the Parc dels Tres Turons, located in the hills behind Barcelona’s city center. (Ajuntament de Barcelona)


This imbalance may partly contribute to major differences in temperature between the city’s center and its periphery. Temperatures are typically up to 7 degrees Celsius (11 degrees Fahrenheit) higher in the old town than in the city’s greener, higher suburbs. Cities on the Iberian peninsula have always adapted carefully to intense summer heat. Streets stay narrow to provide shade, while south-facing windows often stay covered with awnings and shutters in the hotter months to keep interiors cool without automatic resort to air conditioning. Still, in a city where summer highs already regularly reach above 90 degrees Fahrenheit, climate change will see Barcelona only get warmer, drier and potentially more uncomfortable. Plans to green the city are thus not merely about creating a more pleasant-looking urban environment—they’re an essential step toward ensuring that inner Barcelona stays liveable in summer.

No major park can be carved out of an environment this densely built, but the city nonetheless plans to transform its core into a blooming mosaic of plants and leaf cover. The city has found space for five new gardens, which will ultimately be linked up to existing open spaces with lush new corridors of greenery that will create a seamless habitat for urban fauna. Green roofs will soften the sun’s glare, creepers will extend across bare walls, and temporary gardens will squat on sites waiting for construction, cooling and freshening their surroundings.



Barcelona’s green corridor network as it will appear when complete. The dark green land in the top left is the Parc de Collserola, which stretches from the city far out into the surrounding region. (Ajuntament de Barcelona)   


The five new gardens, many of which are already under construction, are a lesson in finding space where there doesn’t appear to be any. The largest one will spring up around a major city square; the land used to belong to road traffic, but those cars are now being diverted into nearby tunnels. A small park was already created at Plaça de les Glòries Catalanes, and by burying elevated roads that currently criss-cross the space, the city has found a way to greatly extend it and make the resulting oasis much calmer.

Another green space will be made—controversially—by clearing away a large courtyard block in the city center that is currently partially filled by squatted, single-story 1920s workshops. A third public space will be created by opening the lush, mature 7.5-acre garden of a newly created house museum to the public. A fourth park will be opened on what is currently a small, scrappy piece of ex-industrial semi wasteland in the hinterlands behind the city’s main container port, and a fifth will be created as part of a long-stalled but newly revived redevelopment of an outlying barracks.

The five new gardens, many of which are already under construction, are a lesson in finding space where there doesn’t appear to be any. The largest one will spring up around a major city square; the land used to belong to road traffic, but those cars are now being diverted into nearby tunnels. A small park was already created at Plaça de les Glòries Catalanes, and by burying elevated roads that currently criss-cross the space, the city has found a way to greatly extend it and make the resulting oasis much calmer.

Another green space will be made—controversially—by clearing away a large courtyard block in the city center that is currently partially filled by squatted, single-story 1920s workshops. A third public space will be created by opening the lush, mature 7.5-acre garden of a newly created house museum to the public. A fourth park will be opened on what is currently a small, scrappy piece of ex-industrial semi wasteland in the hinterlands behind the city’s main container port, and a fifth will be created as part of a long-stalled but newly revived redevelopment of an outlying barracks.




An already constructed interior courtyard garden in the Example District. (Ajuntament de Barcelona).


Arguably the biggest change isn’t from the parks, but from the policies designed to connect green spaces into one leafy network. Ten large interior courtyards in Barcelona’s Eixample district will be planted with trees, while 10 city squares will get parking restrictions that allow for more plantable area. New or enlarged avenues of trees will thread this network together along major streets with surfaces that are more permeable to rain, so that birds and insects can spread across a seamless habitat.

If Barcelona seems especially keen on these corridors, it’s partly because they have already been tried and proved a success. In 2000, the city opened a long, slender park along the banks of the river Besós, a formerly filthy stream passing through industrial lands in the city’s northeast. Since being cleaned up and partly reopened to the public (some areas are protected wetlands), the river banks (viewable here) have thrived with plants suited to brackish water while the river itself is now alive once more with eels, frogs, and terrapins.




How the green corridors could look at ground level.Ajuntament de Barcelona


Back in town, the city is also stumping up a lot of cash to promote green roofs. The city has just called for applications for 50 bursaries of €1,500 to create greening plans for roofs across the city. The top 10 of these submissions will be eligible for grants of up to €100,000 per roof, while elsewhere the city will get new bird and bat boxes, rooftop hives, and insect hotels. Creeper will also be planted and trained across bare walls.

Taken individually, all these microprojects are tiny drops in the bucket. Together they will work to form a flood, creating a future Barcelona that is greener, fresher, more sustainable, and more humane.

Fonte: City Lab









Como planejar cidades com mais áreas verdes



Amirah Mitchell, 14, harvests beets on a suburban Boston farm. (Brian Snyder/Reuters)


Envisioning Nature-Rich Cities

Author Richard Louv invites us to imagine a future filled with urban parks, greenery, and gardens.

Mimi Kirk

Homes destroyed by mudslides, villages flattened by hurricanes, glaciers melting into the sea, land cracked by drought: Such images of the effects of climate change fill social media feeds and television screens. These images may spur awareness and prompt declines in fossil fuel use, but they don’t encourage us to envisage a hopeful, green future.

Writer Richard Louv wants us to focus on this more optimistic vision. While such a view involves fighting climate change by using more-sustainable energy sources, Louv invites us to go further by imagining a “nature-rich” future. “If you only talk about energy efficiency, the conversation stops at solar panels,” he says. “‘Nature-rich’ conjures up the images that we want to work toward.”

Louv, who co-founded the Children & Nature Network, is a longtime advocate of reintroducing nature to people, especially children. In his 2005 book, Last Child in the Woods, he coined the term “nature-deficit disorder,” which he says American children are suffering from due to recent trends that keep kids indoors.

CityLab recently caught up with Louv to discuss his nature-rich vision as it applies to cities, and what municipalities and individuals can do to ensure a future wealth in things green and leafy.

You’ve written about how Americans need to change the way they think and talk about the future. Can you elaborate?

We often talk to each other, as well as to our children, about our future in dystopian terms. There’s a reason dystopian novels and films, such as Blade Runner and Mad Max, are so popular. And these visions of the future don’t have a lot of nature in them, though at least The Hunger Games has a few trees. There’s nothing wrong with the fact that these narratives exist; Orwell’s 1984 offered a good lesson. The problem is an absence of another set of images, of a different, more hopeful future—and one that is rich in nature.

The good news is that this is a vision that many people can agree on. Our children’s disconnect from nature may be the only current cultural issue that brings together people who don’t agree on much of anything else. Pediatricians, developers, urban planners, liberals, conservatives: Once they get to the same table and start talking about it—and start remembering their own childhood connections to nature—they open up to each other and to plans for change.

“Parents get lectured all the time: Go for a walk with your kids, don’t watch TV. But walk where? We’ve built communities that are all about the car.”


Why is engaging with nature so important, especially for children?

A growing body of research suggests that kids who spend more time in natural environments are less apt to be obese or suffer from depression, anxiety, and attention disorders. They learn more effectively in school, and they play together better. Studies indicate, for instance, that in natural play spaces children bully each other less and are more likely to include others who they might not engage with otherwise. Adults benefit in similar ways. Research suggests, for example, that people who spend time in more natural environments in cities tend to nurture closer relationships with their fellow urbanites and to value their communities.

When did we start to lose our intimate connection to nature?

It probably started when we were no longer hunters and gatherers, and certainly industrialization moved people away from their rural homes into the less natural environments of cities. But in the past few decades, the divide has increased greatly. This is caused by such trends as the disconnect that comes from looking at screens all the time. In 2010, the Kaiser Family Foundation reported that young people were spending nearly 52 hours per week consuming some kind of media, almost all of it electronic entertainment.* When do they have time to play, let alone play in nature? And adults are on screens all the time, too. The virtual world is addictive.

Another cause is parents’ fear of letting their children play outdoors alone. In some neighborhoods, this may be well founded, but in most neighborhoods violent crime toward children from outside the home has been declining for decades. Bad urban design is another source. Parents get lectured all the time: Go for a walk with your kids, don’t watch TV. But walk where? We’ve built communities that are all about the car.

Do children and adults in more rural areas engage with nature more?

In less-urban areas, there’s a greater likelihood that kids will have the opportunity for the kind of free-range childhood that people used to have. But kids in rural areas are also getting the same messages about stranger danger, and they’re experiencing the same attraction to virtual life. They’re also getting the same messages from public schools about the devaluation of nature, as schools across the country have cut recess and outdoor play.

Rural adults are not likely to be working on the farms that previous generations did. Large, corporate farms have bought up most small operations. So if people have stayed in the rural community where they were born, they are more likely to be working at a convenience store or in another service job, rather than outdoors.

What can cities and their residents do to take the more hopeful, nature-filled path?

Urban leaders and communities can establish new parks and dedicate underutilized land to native species. Educators can help create school gardens and natural play spaces. Developers can build energy-efficient residential communities that integrate nature trails, rooftop gardens, and urban wilderness. Architects and designers can incorporate natural elements, including natural light, into their designs for homes, retail outlets, schools, and workplaces, which can increase productivity and improve health.

At the individual level, families can make a conscious choice to connect to nature. They can form or join family nature clubs, in which a collection of families get together to spend time outdoors. There are now hundreds across the country. In San Diego, where I live, 1,800 families belong to one. This doesn’t mean that 1,800 families show up to a park at once; a family may announce on the club’s listserv that they are going on a hike and ask other families to join. Perhaps a dozen come.

People find that on these outings the kids play with each other away from the adults. This is an important way for children to learn how to make independent decisions and negotiate with their peers. And the parents aren’t worried about stranger danger. The outings don’t have to involve far-away locales or expensive equipment. In low-income neighborhoods, families often explore natural spaces close by.

Richard Louv’s Children & Nature Network is partnering with the National League of Cities to help municipal leaders across the U.S. create nature-rich cities and improve nature access for low-income communities.

*The Kaiser Family Foundation statistic has been updated from a previous version of this article.

Fonte: City Lab













terça-feira, 20 de junho de 2017

Prefeitura apresenta novos projetos do "Niterói Que Queremos" para líderes comunitários






20/06/2017 – Mais de 300 pessoas participaram, na noite desta segunda-feira (19/6), da apresentação da nova carteira de projetos do planejamento estratégico Niterói Que Queremos para o período 2017-2020. O prefeito Rodrigo Neves, secretários e autoridades se reuniram com líderes comunitários e presidentes de associações de moradores para apresentar o balanço da primeira rodada do projeto, com ações executadas de 2013 a 2017, expor as novas iniciativas, colher sugestões e opiniões. “Desde 2013 estamos fazendo um grande esforço para diminuir os efeitos da crise que estão prejudicando tanto o país, o estado e os municípios vizinhos. Graças ao Niterói Resiliente, estamos conseguimos manter as contas em dia e realizar investimentos importantes na cidade. Agora estamos elaborando as metas e projetos prioritários para o período de 2017 a 2020. Queremos ouvir as sugestões de vocês. Este planejamento não é tudo o que a Prefeitura faz, mas são os projetos prioritários para que, ao fim do 2020, a gente tenha uma cidade melhor”, destacou o prefeito.

Rodrigo Neves estava acompanhado do presidente da Federação das Associações dos Moradores do Município de Niterói (Famnit), Manuel Amâncio, dos presidentes da Associações de Moradores de Jurujuba, do Cantagalo e do Castro Alves, Mário Eugênio Lopes, José Plácido e Eurendino Martins, respectivamente, do secretário municipal de Participação Social, Miguel Vitoriano, e do deputado estadual Waldeck Carneiro.

Também participaram do evento os secretários Maria Célia Vasconcellos (Saúde), Vicente Temperini (Obras), Flávia Monteiro de Barros (Educação), Giovanna Victer (Planejamento), e Vitor Júnior (Governo), além do presidente da Fundação Municipal de Educação, Bruno Ribeiro.

“Este é a primeira gestão da Prefeitura que se aproxima dos líderes comunitários para ouvir e analisar nossas opiniões sobre o que a cidade precisa. Este diálogo aberto é muito importante para construirmos uma Niterói mais inclusiva e justa, que olha pelos que mais precisam”, elogiou Manuel Amâncio.

A secretária municipal de Planejamento, Modernização da Gestão e Controle, Giovanna Victer, abriu o evento relembrando como foi criado o Niterói Que Queremos, em 2013, e destacou a importância do planejamento estratégico para preparar a cidade para os desafios atuais e futuros.

“Estamos buscando o melhor caminho para aproximar a gestão pública da sociedade. Foram realizadas pesquisas e reuniões com a participação de mais de cinco mil pessoas para a elaboração do projeto Niterói que Queremos e agora estamos ouvindo os diversos segmentos da sociedade para elaborarmos a nova rodada do planejamento” explica Giovanna Victer.

Entre as ações já realizadas se destacam a entrega do túnel Charitas-Cafubá, a implantação o bicicletário Arariboia, elaboração e envio do Plano Diretor de Niterói à Câmara, a reforma e ampliação do Hospital Getulinho e da Unidade Municipal de Urgência Dr. Mário Monteiro, e a realização de obras de contenção em 40 pontos da cidade, entre outros.

A coordenadora do Núcleo de Gestão Estratégica, Gláucia Macedo, explicou que o Município está apresentando a nova carteira de projetos, que conta com 34 iniciativas divididas em sete áreas: "Organizada e Segura", "Saudável", "Escolarizada e Inovadora", "Próspera e Dinâmica", "Vibrante e Atraente", "Eficiente e Comprometida" e "Inclusiva".

“Entre os novos projetos estão a conclusão das obras da TransOceânica e do mergulhão da Praça Renascença, a municipalização do estádio Caio Martins, e a criação das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) do Badu e Sapê, por exemplo. O objetivo destas reuniões é ouvir a sociedade sobre quais investimentos são necessários para Niterói”, conclui Glaucia.


Fonte: Prefeitura de Niterói










Niterói escolhida para receber projeto social em comunidades



O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, visitou a instituição com o secretário nacional de Justiça e Cidadania, Astério Pereira dos Santos. Foto: Luciana Carneiro / Ascom Niterói


Programa Casa da Cidadania será implantado ainda este ano

O Ministério da Justiça, em parceria com a Prefeitura de Niterói, implantará na cidade o projeto piloto do programa Casa da Cidadania, que implementará ações sociais através de atividades culturais. O anúncio foi feito nesta tarde pelo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e pelo secretário nacional de Justiça e Cidadania, Astério Pereira dos Santos, durante visita à instituição filantrópica Casa Maria de Magdala, no Sapê.

O prefeito de Niterói afirmou que o Projeto Casa de Cidadania será coordenado pelo coronel Paulo Henrique de Moraes, coordenador executivo do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM). “Já houve uma reunião de trabalho com o secretário nacional de Justiça sobre a implantação do projeto, que prevê assistência jurídica e mediação de conflitos em comunidades com maior vulnerabilidade social. A ideia é, já no segundo semestre, fazer o convênio, desenvolver esse programa e iniciar os trabalhos” afirmou Rodrigo Neves.

A música será uma das formas de aproximação com a comunidade, segundo o secretário nacional de Justiça e Cidadania do Ministério da Justiça, Astério Pereira dos Santos.“É um projeto de uma amplitude muito grande. Além dos projetos sociais, vamos ter espaços para uma área recreativa e utilizaremos a música como ferramenta de ação social. Ações desse tipo, comprovadamente, têm resultados positivos. Niterói sediará o projeto piloto”, afirmou Astério Pereira dos Santos.

Ampliação – Durante a visita, o prefeito Rodrigo Neves também anunciou que vai ampliar a parceria já existente com a instituição, através das secretarias municipais de Saúde e Ação Social. O local atende 170 famílias cadastradas de bairros vizinhos ao Sapê, com um ou mais membros vivendo ou convivendo com HIV/AIDS, Além de atender 20 crianças portadoras de necessidades especiais que precisam de atendimento educacional especializado. A Casa Maria de Magdala também oferece apoio e acolhimento a pessoas que convivem com a doença, estão em quadros terminais ou foram abandonados por seus familiares.

Fonte: O Fluminense