domingo, 18 de junho de 2017

CAMPO DE SÃO BENTO - MELHORIAS NO RIO ICARAÍ



COMENTÁRIO DE AXEL GRAEL:

A medida anunciada pela Prefeitura de Niterói e pela Concessionária Águas de Niterói, abordada na matéria do suplemento O Globo Niterói, de 18/06/2017, tem como objetivo dar uma solução mais imediata para o problema da passagem do Rio Icaraí pelo Campo de São Bento.

Saiba um pouco mais sobre a obra que será feita nos comentários abaixo e na matéria do jornal.

Rio Icaraí: o rio do Campo de São Bento

A região atualmente ocupada pelos bairros de Icaraí e Santa Rosa, antes da urbanização, era uma baixada com áreas pantanosas e sujeitas naturalmente a inundação. Este fato, ajudou a fazer do Campo de São Bento o que é hoje. A sua característica brejosa original impediu que fosse ocupado por edificações, como o seu entorno. O problema, é que sob chuva forte, a dificuldade de drenagem da área persiste.

Antes de se tornar a região mais densamente ocupada de Niterói, um rio serpenteava suas planícies, cruzando na diagonal desde onde hoje é o Largo do Marrão até o Canto do Rio, onde encontrava-se com o rio hoje contido no Canal da Avenida Ary Parreiras.

Hoje, também canalizado, o Rio Icaraí cruza o Campo de São Bento - a mais importante e mais visitada área verde de Niterói - também abastece o lago que compõe a paisagem local. Com elevado índice de contaminação por esgotos, o rio exala mau cheiro e gera muito desconforto para os frequentadores daquele parque, além de afetar a qualidade ambiental e a vida animal no local.

A solução apresentada pela Prefeitura de Niterói e por Águas de Niterói será a implantação de um equipamento conhecido como Tomada de Tempo Seco (TTS), logo a montante da sua chegada ao Campo de São Bento. Com isso, será feita a derivação da vazão do Rio Icaraí para a rede de esgoto que levará as águas à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Icaraí. Cabe lembrar que o Rio Icaraí já conta com uma captação de sua vazão em tempo seco nas proximidades da ETE Icaraí, portanto, a jusante do Campo de São Bento.

A medida ora apresentada pela Prefeitura de Niterói ampliará os benefícios, trará benefícios estéticos e ambientais para o Campo de São Bento em condições normais, sem chuvas mais intensas, que aumentam a vazão do rio.

A seguir, apresentamos algumas providências que estão sendo tomadas para resolver o problema de inundação e da poluição do Rio Icaraí.

Inundações

Para a solução do problema de inundações, outras medidas estão sendo previstas. O rio drena a área mais densamente ocupada da cidade de Niterói e hoje, além da poluição, gera problemas recorrentes de inundação em ocasiões de chuvas fortes. A solução para as enchentes virá com o projeto de macrodrenagem de Icaraí, que a Prefeitura está em estágio avançado de captação de recursos para a obra.

A prevenção das inundações não tem solução fácil, pois o curso do Rio Icaraí em vários trechos foi inclusive coberto pela construção de prédios, de ruas e outras estruturas urbanas, que dificultam o acesso à calha do rio para fazer a sua manutenção e melhorias de drenagem. Em função do adensamento urbano, há também a dificuldade de espaço para alternativas.

Soluções

Dentre as soluções em estudo, estão:
  • ESCOAMENTO - MACRODRENAGEM: A viabilidade da implantação de novas galerias de drenagem que funcionem como alternativa de escoamento em situações de maior vazão (chuvas fortes)
  • RETENÇÃO NAS ÁREAS BAIXAS: A viabilidade de soluções para a retenção do excesso de água através de reservatórios (piscinões)
  • RETENÇÃO EM ALTO CURSO: Estudo de viabilidade de soluções alternativas para retenção em áreas de alto e médio curso do rio, antes que as águas cheguem em áreas mais sujeitas a inundação.
Além da Captação de Tempo Seco da vazão do rio a montante do Campo de São Bento, já estão sendo implementadas as seguintes medidas:
  • FISCALIZAÇÃO: Ampliação do programa "Se Liga" na bacia hidrográfica do Rio Icaraí para identificar construções que não estejam ligadas à rede de esgoto para melhoria das condições ambientais do rio. Em parceria com a Concessionária Águas de Niterói, já foi realizada uma inspeção com o uso de tecnologia especial de última geração (robô) que filmou as áreas cobertas por construções e identificou irregularidades e estrangulamentos do sistema de drenagem.
  • PREVENÇÃO - MICRODRENAGEM: através da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SECONSER), há a intensificação das rotinas de manutenção de bueiros e drenagens das ruas, para garantir o rápido escoamento em situação de excedente de água. Os resultados já podem ser notados nas últimas situações de chuvas fortes, quando o escoamento tem ocorrido em poucos minutos.
  • PREVENÇÃO - ANTECIPAÇÃO DE SITUAÇÕES DE CHEIAS: através do Serviço de Meteorologia da Defesa Civil de Niterói, a Prefeitura de Niterói emite Alertas de Chuva, que permitem que as equipes de manutenção (SECONSER) e de gestão do trânsito da cidade (NitTrans) possam se antecipar e prevenir problemas.
  • DIAGNÓSTICOS: através do Sistema de Gestão da Geoinformação de Niterói - SIGEO, uma premiada iniciativa da Prefeitura de Niterói, estão sendo reunidas informações sobre os principais bolsões de inundação na cidade e são avaliados a intensidade de chuvas para que tal áreas inundem.

A medida anunciada agora pela Prefeitura trará a solução para mais um dos problemas crônicos e históricos de drenagem da cidade.

É importante lembrar que toda obra de drenagem é dimensionada para uma determinada intensidade de chuvas, o chamado "Tempo de Recorrência". Mas, chuvas extraordinárias, poderão ultrapassar a capacidade do sistema de drenagem. Em tempos de crescente preocupação com as mudanças climáticas em todo o planeta, a gestão da drenagem das cidades é um desafio cada vez maior.

Nos casos de chuvas mais intensas do que a capacidade de escoamento, o importante é que o projeto e o planejamento garantam que a frequência destas ocorrências sejam as menores possíveis, e, caso ocorram, que o escoamento da água se dê da forma mais eficiente possível, diminuindo os transtornos para o cotidiano da cidade, para o patrimônio e para a vida das pessoas.

Axel Grael
Secretário Executivo
Prefeitura de Niterói





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"O Campo de São Bento é uma das principais áreas verdes de nossa cidade e nós vamos avançar para que seja cada vez mais acolhedor e agradável! Em parceria com a concessionária Águas de Niterói, no mês que vem, vamos iniciar a construção de um dispositivo de Tomada de Tempo Seco para coletar os sedimentos do rio levá-los para o sistema de esgoto na interseção da Av. Roberto Silveira com a Rua Lopes Trovão. Com isso vamos deixar o ambiente ainda melhor para a população quando o novo equipamento entrar em operação". Prefeito Rodrigo Neves



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Rio Icaraí será desviado no trecho que passa pelo Campo São Bento

O trecho do Rio Icaraí que passa pelo Campo de São Bento e provoca mau cheiro devido à presença de esgoto deixará de ter fluxo intermitente no tempo seco - Fábio Guimarães / Agência O Globo


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Dispositivo para mudar curso do esgoto promete pôr fim ao mau cheiro no local

NITERÓI - Tradicional refúgio de quem procura sombra e verde em Icaraí, o Campo de São Bento é uma área de lazer que atrai tanto idosos, que fazem ginástica no local, quanto crianças, que se esbaldam no parquinho, além de jovens, frequentadores de feiras gastronômicas e food trucks. E todo mundo reclama da mesma coisa: o mau cheiro proveniente do esgoto no trecho do Rio Icaraí que corre por dentro do parque. É um odor forte, capaz de comprometer os momentos de lazer. Com o objetivo de acabar com esse inconveniente, a Águas de Niterói e a Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) começarão no mês que vem a construção de um dispositivo de Tomada de Tempo Seco (TTS) que fará a coleta dos sedimentos do rio e os levará para o sistema de esgoto do bairro, na interseção da Avenida Roberto Silveira com a Rua Lopes Trovão. Até o fim do ano, a expectativa é que o fluxo do rio no local deixe de ser intermitente — como é no canal da Avenida Ary Parreiras —, desviando o esgoto para a rede municipal e facilitando a limpeza.

As intervenções no Campo de São Bento começam mês que vem, com a montagem do canteiro de obras que ficará próximo à torre do portão de entrada, localizado de frente para a Rua Mem de Sá. Ali, debaixo do solo, será construída uma caixa de concreto com 16 metros quadrados onde ficarão duas bombas responsáveis por levar o fluxo das águas para a rede de esgoto que passa próxima ao Centro Cultural Paschoal Carlos Magno (CCPCM), por uma nova tubulação de 140 metros. A Águas de Niterói investirá cerca de R$ 800 mil na obra.

— Na caixa de concreto, que não ficará aparente para os visitantes, funcionarão duas bombas com vazão para desviar cerca de cem litros por segundo. Isso fará com que o fluxo de água do rio no trecho dentro do Campo de São Bento seja interrompido quando não estiver chovendo. Sem a passagem do esgoto por ali, o mau cheiro vai acabar — prevê o superintendente da Águas de Niterói, Nelson Gomes. — Será exatamente igual ao equipamento de Tomada de Tempo Seco que já funciona desde 1999 na Avenida Sete de Setembro e faz com que o trecho do Rio Icaraí que corre aberto por aquela região não tenha um odor tão forte quanto o sentido no Campo de São Bento.

O mau cheiro que sai do Rio Icaraí é a maior queixa dos frequentadores da área de lazer, segundo a secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa. Ela adianta que, após o início da operação do novo equipamento, o canal também será revitalizado.



— Chegam muitas reclamações na administração do parque relacionadas ao mau cheiro do rio. E o despejo irregular de esgoto é um problema constante, porque, dentro do campo, o rio passa em ambiente aberto, mas ele cruza uma boa parte da cidade canalizado: começa no Pé Pequeno, com a junção dos rios Cubango e Santa Rosa. Com a diminuição do fluxo de água no trecho do Campo de São Bento, vamos concretar as paredes e o fundo do canal para facilitar a limpeza, o que vai ajudar muito — avalia Dayse.

ATENDIMENTO AO TURISTA

No último dia 8, foi inaugurado no Campo São Bento o quarto Centro de Atendimento ao Turista (CAT) da cidade. O novo equipamento foi construído em parceria pela prefeitura e o Ministério do Turismo e conta com atendentes trilíngues que distribuem folhetos e indicam os principais pontos turísticos e gastronômicos de Niterói. O CAT está funcionando de segunda a sexta, das 9h às 17h; e sábados, domingos e feriados, das 9h às 15h, podendo estender seu horário até as 17h, conforme o movimento da Feira de Artesanato que funciona nos fins de semana.

A secretária espera que a construção do dispositivo de TTS torne o local ainda mais atrativo como ponto turístico.

— Essa obra faz parte de uma série de ações que têm como objetivo consolidar o Campo de São Bento como um ponto de visitação na cidade. Com a implantação do CAT, o prefeito pediu que pensássemos numa solução para o mau cheiro do campo. Junto com a Águas de Niterói montamos esse projeto, que vai resolver de vez o problema — garante Dayse.

O prefeito Rodrigo Neves prevê que o ambiente da área de lazer fique mais agradável quando o novo equipamento entrar em operação, o que deve ocorrer até o fim do ano:

— O Campo de São Bento é uma das áreas de convivência e lazer mais importantes de Niterói. O mau cheiro proveniente do rio é um problema que já existe há décadas e que, com essa obra, será reduzido, tornando o parque, que é um dos locais mais queridos dos niteroienses, ainda mais bonito e agradável.

Fonte: O Globo Niterói












Um comentário:

  1. Na verdade o rio que passa pelo Campo de São Bento é o Rio Cubango, Bumba ou Calimbá que nasce no Viçoso Jardim, atravessa a rua Noronha Torrezão, segue pelo lado esquerdo desta, cruza a rua Dr. Paulo Cesar, altura do Largo do Marrão, segue por sob o Caio Martins, atravessa a Av. Roberto Silveira, sob o Ed. Rio Amazonas, atravessa a rua Lopes Trovão penetrando no Campo de São Bento, atravessa a rua 5 de julho, segue a rua Miguel Vieira Ferreira e vai encontrar o Rio Icaraí nas proximidades da ETE de Icaraí. Por outro lado, o Rio Icaraí nasce no Morro do Viradouro e desemboca no local chamado Canto do Rio, cortando toda a extensão da Av. Ary Parreiras, como nos esclarece Pedro Guedes Alcoforado em "O Tupi na Geografia Fluminense" - 1ª edição - 1950.

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